terça-feira, 5 de junho de 2018

Brasileiro, traidor da Pátria



Italiana Enel compra Eletropaulo e vira maior distribuidora de energia do Brasil
A Enel elevou na semana passada sua oferta pela companhia, ao propor pagar R$ 45,22 por ação da Eletropaulo
https://www.otempo.com.br/capa/economia/italiana-enel-compra-eletropaulo-e-vira-maior-distribuidora-de-energia-do-brasil-1.1852387


Não foi acaso: ainda ontem passei em frente a ENEL em Fortaleza, exatamente na hora do almoço. Saia de lá gente administrativa, bem vestida, roupa limpa, sapatos brilhantes, vestidos elegantes... todos brasileiros! Dirigiam-se para o restaurante no outro lado da rua - um self-service distinto e de preço acima da média, com carros de classe média-alta parados em frente. A ENEL é italiana, o (des)Governo brasileiro está vendendo as riquezas nacionais para o estrangeiro, mas quem está fazendo com que isso seja possível são os próprios brasileiros em troca de dinheiro, status, estilo de vida, carros, apartamentos, roupas de grif, relógios... e encontros, festas, e reuniões onde podem e querem cada vez mais ser vistos e reconhecidos. Adoram promoções. São brasileiros que querem mais e mais, sem se importar o caminho que o dinheiro toma até chegar em suas mãos. Afinal, está tudo camuflado por escritórios de arquitetura ousada e decoração moderna. Tudo com aparência de bem. Faz-me lembrar o filme No Escape, com Owen Wilson e Pierce Brosnan, onde um engenheiro americano, perseguindo promessas de riqueza e bem-estar, muda-se com a sua família para um país inominado da Ásia, para trabalhar em uma multinacional sobre a qual ele não verificou ética. Ao chegar, cai no meio de uma sangrenta revolução popular contra a própria empresa para quem ele iria trabalhar: esta estava vampirizando a água e o povo.

Se todos os brasileiros se recusassem a trabalhar para as empresas estrangeiras que estão, cada vez mais, monopolizando o mercado brasileiro, sugando a Nação e levando para fora maior parte da riqueza gerada, o Governo brasileiro não teria outra possibilidade senão contratar empresas e serviços nacionais (a qualidade das empresas, dos produtos e dos serviços nacionais já é tema para outro debate). A questão é que alguns brasileiros recebem a parte deles para que isto aconteça. Triste mesmo é ver que tal estilo de vida – o mesmo propagandeado pelo mercado da Nova ordem Mundial – é invejado pelas classes econômicas mais baixas, as quais, se tivessem oportunidade, num piscar de olhos, sem hesitar, ocupariam o lugar daqueles que vi ontem.

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