ROTHSCHILD NO BRASIL

O S   R O T H S C H I L D S   N O   B R A S I L


Por quase duzentos anos, Rothschild esteve envolvido no desenvolvimento financeiro do Brasil. A relação remonta ao tempo de Nathan Mayer Rothschild, que emitiu um empréstimo em 1825 para ajudar o Brasil a garantir sua independência de Portugal. Outros empréstimos ajudaram a desenvolver ferrovias e infra-estrutura e, como agentes do governo, Rothschild ajudou o Brasil a manter sua posição nos mercados financeiros. A casa bancária de Nathan em Londres [City of London, distrito financeiro dentro de Londres, mas independente deste, no qual, a própria Rainha de Inglaterra, para entrar, precisa da autorização do Mayor da City of London], NM Rothschild & Sons, negociava em ouro e divisas estrangeiras, e seus notáveis sucessos nesses campos renderam-lhe o contrato do governo britânico para fornecer as moedas de ouro às tropas de Wellington em 1814 e 1815, levando à Batalha de Waterloo. Ele emitiu 26 empréstimos do governo britânico e estrangeiro entre 1818 e 1835 e em 1824 flutuou a Alliance Assurance Company. O envolvimento de Nathan no Brasil pode ser atribuído à sua conexão por casamento com a firma de Samuel, Phillips & Co.: Samuel Moses. Samuel era casado com a cunhada de Nathan Esther.

Imagem e Texto: Arquivos Rothschild
Imagem: Nathan e Hannah Rothschild


F I N A N C I A N D O   A   N O V A   N A Ç Ã O


Nathan Rothschild, em Londres, embora fosse cauteloso em relação aos investimentos sul-americanos, interessou-se cedo pelo novo estado. Ele provavelmente estava considerando um empréstimo para o Brasil já em 1823, mas o primeiro empréstimo em 1824 foi administrado por um grupo de empreiteiros menores, consistindo de:

- Baylett, Farquhar & Co.
- Alexander & Co. 
- Wilson Shaw & Co. 

Nathan pode muito bem ter apoiado discretamente este grupo, porque em 1825 ele conseguiu uma segunda parcela maior do empréstimo, no valor de £ 2.000.000. O empréstimo foi garantido sobre as receitas aduaneiras. Quando a bolha especulativa sul-americana estourou no final da década de 1820, o Brasil conseguiu preservar um grau de solvência. Isso se deveu em grande parte à inovação financeira de Nathan em obter um empréstimo de £ 400.000 em 1829 especificamente para atender as dívidas existentes no Brasil. Esse vínculo é considerado o primeiro desse tipo. O Brasil continuaria a depender de empréstimos externos e continuaria a ter dificuldades em pagar o principal desses empréstimos, mas uma nota de arquivo c1852 reconhece que o banco tinha: 

"Não perdemos de vista a posição que os Títulos do Governo Imperial mantêm, da pontualidade inabalável com a qual durante 28 anos os dividendos destes Empréstimos foram pagos."

Imagem e texto: Arquivos da família Rothschild
Imagem: Empréstimo de £500 ao Império Brasileiro (do total de £2.400.000)


R O T H S C H I L D   E   A S   F E R R O V I A S   N O   B R A S I L


Os Rothschilds estiveram envolvidos no desenvolvimento de ferrovias em todo o mundo e o Brasil não foi exceção. Já em 1858, eles emitiram seus primeiros empréstimos para empresas ferroviárias brasileiras, a Companhia Ferroviária da Bahia e San Francisco e a Companhia Ferroviária Don Pedro II, seguida pela Companhia Ferroviária de São Paulo em 1859. Outros empréstimos foram concedidos a essas empresas ao longo dos anos e a Ferrovia do Oeste de Minas foi acrescentada a esse número em 1893. As ferrovias abriram o interior do Brasil: os imigrantes entraram e a plantação de café se expandiu enormemente.

O mapa mostrado aqui acompanhava um prospecto de empréstimo para a Companhia Ferroviária da Bahia e San Francisco, emitido em 1884 para arrecadar cerca de £ 300.000 para financiar um ramal. Os produtos - e potenciais produtos - do interior que podem ser trazidos para o porto da Bahia pela ferrovia são marcados no mapa.

Texto e imagem: Arquivos Rothschild  
Imagem: Mapa do prospecto da Ferrovia Bahia e São Francisco 


H E N R Y   L Y N C H   ( 1 8 7 8 - 1 9 5 8 )


Henry Lynch foi representante da NM Rothschild & Sons, New Court, City of London, no Brasil de 1919 até sua aposentadoria em 1957. Palin, um funcionário do Banco em Londres, descreve Lynch em suas memórias Rothschild Relish (1970):

"Esse grande personagem, membro de uma antiga família anglo-brasileira, era sócio de um negócio de importação e exportação, mas o mais importante para nós, ele era o agente e representante no Brasil da NM Rothschild & Sons, New Court, City of London. Ele era solteiro, alto, com uma compleição que se aprofundou durante os anos em que o conheci, (...) gostava de boa vida e ocupava uma posição única no Rio, onde às vezes dizia ser mais Embaixador Britânico do que o próprio Embaixador Britânico. Conhecendo e sendo conhecido nos círculos governamentais, políticos, financeiros, comerciais e sociais, ele sempre me pareceu extremamente bem preparado para o seu trabalho".

Lynch se tornou indispensável para o Banco NM Rothschild & Sons e se dedicou à promoção dos interesses britânicos no Brasil. Ele enviou ao Banco informações e conselhos regulares e detalhados sobre questões comerciais, políticas e econômicas e foi um canal para os níveis mais altos do Governo Brasileiro. Seus arquivos de correspondência para os anos 1919-1940 discutem, entre outros, os empréstimos propostos; empréstimos sendo solicitados e emitidos em outro lugar; e desenvolvimentos no Banco do Brasil [do qual, hoje, a Família Rothschild é acionista]. Os arquivos de Henry Lynch podem ser encontrados na série de correspondências especiais do Arquivo [da Família Rothschild].

Texto e imagem: Arquivos de Rothschild
Imagem: Henry Lynch (1878-1958)


C A F É



O café foi o principal produto do Brasil, mas a quadruplicação da produção no Estado de São Paulo entre 1870 e 1900, estimulada em grande parte pelo crescimento das ferrovias [um dos investimentos da Família Rothschild como vimos em post anterior], foi o início de décadas de problemas com excesso de oferta. Até 1930 [ano em que o BIS foi criado], os Governos federal e estadual responderam ao excesso de oferta tentando apoiar o preço do café por meio do armazenamento em pilhas.

O Banco [NM Rothchild & Sons, New Court, City of London] era cético em relação a tais esquemas de "valorização", mas, no conselho telegráfico de Henry Lynch, em 1922, agente [do NM Rothchild & Sons] no Brasil, acabou achando que precisavam se envolver para não perder negócios para outras empresas:

"Como você não favoreceu a política até o presente, atrevo-me a sugerir que continue sua política dependendo das eleições futuras, mas, em minha opinião, se o Governo Federal brasileiro presente, ou futuro, decidir sustentar a política contra o seu interesse em [não apoiar a política], não podemos deixar de pensar que outros irão fazer dinheiro devido a agentes financeiros que não apoiarem o governo quando o dinheiro do mercado permitir que outros o façam."

Como resultado, o banco participou do empréstimo de 1922 para o Brasil destinado a ajudar a financiar o estoque de café. Com um empréstimo de £ 9.000.000 garantido em 3.000.000 de sacas de café, o governo teve que proteger essa mercadoria economicamente vital. Em 1924, como agentes do governo brasileiro, os Rothschilds buscavam seguro para o café, reunindo informações sobre proteção contra incêndios nos armazéns espalhados pelo estado de São Paulo.

Texto e imagem: Arquivos de Rothschild
Imagem 1. Cupons de obrigações emitidos sobre a segurança do café
Imagem 2. Proteção contra incêndios em um armazém de café


E X P O S I Ç Ã O   I N T E R N A C I O N A L   D O   C E N T E N Á R I O   D O   B R A S I L


Em 1922, foi realizada uma exposição para comemorar o centenário da independência do Brasil.

A presença de Henry Lynch foi certamente sentida durante a exposição. Enojado pelo fato de o Tesouro ter se recusado a financiar uma contribuição britânica, ele persuadiu Lionel de Rothschild a exercer a influência que podia em Londres. Lionel, um membro do parlamento, foi bem sucedido nisso, e tornou-se presidente de um comitê em Londres para apoiar a exposição, escrevendo para centenas de empresas britânicas para levantar patrocínio. Lynch esteve envolvido nos arranjos práticos no Rio de Janeiro.

Lynch foi fundamental na persuasão dos navios de guerra HMS Hood e HMS Repulse para estender sua visita ao Brasil para coincidir com a abertura da exposição. Isso provou ser inestimável quando ataques de última hora e problemas trabalhistas ameaçavam um desastre. Os marinheiros foram chamados à terra e terminaram o pavilhão a tempo.

O pavilhão britânico, inaugurado em 11 de outubro de 1922. Coronel Cole descreve a ocasião:

"Depois de o presidente ter declarado o prédio aberto, ele seguiu em frente à Seção Britânica, visitando todos os estandes e tendo o maior interesse nas exposições. [...] suas últimas palavras antes de partir foram:" Não há dúvida de quem levou o primeiro prêmio ".

Um poço no centro do andar superior dava para um mapa de relevo em grande escala do mundo colocado na água, sobre o qual os navios modelo se moviam ao longo das principais rotas marítimas. No dia 7 de setembro de 1922, dia da inauguração da exposição, quando o presidente brasileiro visitou o pavilhão britânico, o mapa passou por alguns problemas técnicos, descritos pelo Coronel Cole em um relatório de andamento:

"O mapa também estava pronto, e estava em funcionamento até cerca de uma hora após a cerimônia de abertura, quando, devido a um defeito nos contatos elétricos, os navios não estavam realmente se movendo quando o presidente estava olhando para ele, mas enquanto ele Alguns circuitos começaram a recomeçar e os restantes foram trabalhados à mão (Hayes, o mecânico, para não ficar atrás, tendo-se escondido debaixo do mapa e operado ele próprio), e conseguiu ver a ideia geral. e ficou muito interessado nele. Ele disse brincando que era ruim para nós escolher a cor mais eficaz, vermelha, para as possessões britânicas e deixar o Brasil com seu amarelo dourado mais claro. "

Imagem e texto: Arquivos Rothschild
Imagem: 'A seção nacional da exposição. Vista da "cúpula de jóias" - o edifício mais alto da exposição - sobre uma parte da seção nacional. H.M.S. "Hood" e "Repulse" podem ser vistos no porto.


2 comentários:

  1. Daniel, tenho acompanhado seus programas
    e gostaria de falar com você direto,
    pode me mandar um email, tenho uma proposta para fazer
    para ajudar a sistematização do seu trabalho em formato de livro,
    sobre a questão do BIS, sionismo e bancos centrais,
    pode me escrever dando um email pq não uso face? reginafigueiredo@uol.com.br

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  2. Olá Daniel, gostaria de ter contato direto contigo. Se puder me contatar através do meu e-mail ivan.rodrigues@rdfnet.com, eu agradeço!

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