Algumas passagens da Declaração do VII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, assinada na cidade de Astana, Cazaquistão, estão sendo muito criticadas por cristãos. Diversos termos fazem-me lembrar as narrativas de outras agendas, como, p.ex., "mudanças climáticas", "terrorismo", "pandemia de Covid", "fraternidade", etc. Traduzi a Declaração a partir da publicação do jornal The Astana Times:
Declaração do
VII Congresso dos Líderes das Religiões
Mundiais e Tradicionais
15.Set.2022 - ORIGINAL
Nós, os participantes do VII Congresso – líderes espirituais de religiões mundiais e tradicionais, políticos, chefes de organizações inter-nacionais, guiados por nosso desejo compartilhado por um mundo justo, pacífico, seguro e próspero, afirmando a importância dos valores compartilhados no desenvolvimento espiritual e social da humanidade, reconhecendo a necessidade de combater e superar a intolerância e o discurso de ódio, xenofobia, discriminação e conflitos baseados em diferenças étnicas, religiosas e culturais, respeitando a riqueza da diversidade religiosa e cultural, percebendo que os atos de caridade, compaixão, misericórdia, justiça e solidariedade contribuem para a aproximação dos povos e sociedades, reconhecendo o valor da educação e da espiritualidade para o desenvolvimento pessoal e inter-religioso, afirmando a importância do papel e dos direitos das mulheres na sociedade, afirmando que a desigualdade material leva ao descontentamento, tensão social, conflito e crise em nosso mundo, reconhecendo a importância de enfrentar os desafios globais em nosso mundo pós-pandemia, incluindo mudanças climáticas, pobreza e fome; crime organizado, terrorismo e drogas, condenando com a maior veemência o extremismo, o radicalismo e o terrorismo que levam à perseguição religiosa e ao enfraquecimento da vida e da dignidade humanas, condenando a criação de focos de tensão inter-estadual e inter-nacional no mundo, expressando séria preocupação com o aumento global do número de migrantes e refugiados que precisam de assistência e proteção humanitária, expressando o firme desejo de contribuir para a criação de condições de diálogo e reconciliação entre as partes em conflito, percebendo a necessidade urgente de líderes espirituais e políticos trabalharem juntos para enfrentar os desafios do nosso mundo, acolhendo todas as iniciativas inter-nacionais, regionais, nacionais e locais, especialmente os esforços dos líderes religiosos para promover o diálogo inter-religioso, inter-cultural e inter-civilizacional, expressando a intenção de intensificar a cooperação entre comunidades religiosas, instituições inter-nacionais, nacionais e públicas e organizações não governamentais no período pós-pandemia, re-afirmando o trabalho do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais como plataforma de diálogo inter-religioso inter-nacional para representantes de muitas religiões, confissões e credos, destacando a oportunidade do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais de dar mais passos específicos para expandir o diálogo inter-religioso, inter-cultural e inter-civilizacional...
... CHEGARAM A UMA POSIÇÃO COMUM E DECLARAM O SEGUINTE:
1. Faremos todos os esforços para que o Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais continue suas atividades regulares em benefício da paz e do diálogo entre religiões, culturas e civilizações.
2. Declaramos que nas condições de desenvolvimento mundial pós-pandemia e globalização dos processos e ameaças à segurança, o Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais desempenha um papel importante na implementação de esforços conjuntos para fortalecer o diálogo em nome da paz e cooperação, bem como a promoção dos valores espirituais e morais.
3. Reconhecemos que as consequências negativas da doença pandêmica só podem ser superadas por meio de um esforço conjunto, trabalhando juntos e ajudando uns aos outros.
4. Estamos convencidos de que o desencadeamento de qualquer conflito militar, criando focos de tensão e confronto, provoca reações em cadeia que prejudicam as relações inter-nacionais.
5. Acreditamos que o extremismo, o radicalismo, o terrorismo e todas as outras formas de violência e guerras, quaisquer que sejam suas motivações e objetivos, não têm nada a ver com religião autêntica e devem ser rejeitados nos termos mais fortes possíveis.
6. Instamos veementemente os governos nacionais e as organizações inter-nacionais autorizadas a fornecer assistência abrangente a todos os grupos religiosos e comunidades étnicas que foram submetidos a violação de direitos e violência por extremistas e terroristas como resultado de guerras e conflitos militares.
7. Conclamamos os líderes mundiais a abandonar toda retórica agressiva e destrutiva que leva à desestabilização do mundo e a cessar o conflito e o derramamento de sangue em todos os cantos do nosso mundo.
8. Apelamos aos líderes religiosos e figuras políticas proeminentes de diferentes partes do mundo para desenvolver incansavelmente o diálogo em nome da amizade, solidariedade e coexistência pacífica.
9. Defendemos o envolvimento ativo dos líderes do mundo e das religiões tradicionais e figuras políticas proeminentes no processo de resolução de conflitos para alcançar a estabilidade a longo prazo.
10. Observamos que o pluralismo em termos de diferenças de cor da pele, gênero, raça, idioma e cultura são expressões da sabedoria de Deus na criação. A diversidade religiosa é permitida por Deus e, portanto, qualquer coerção a uma determinada religião e doutrina religiosa é inaceitável [parágrafo muito criticado pelos cristãos. Assista seguinte vídeo].
11. Apelamos ao apoio de iniciativas concretas para implementar o diálogo inter-religioso e inter-denominacional, em prol da construção da justiça social e da solidariedade para todos os povos.
12. Estamos solidários com os esforços das Nações Unidas e de todas as outras instituições e organizações inter-nacionais, governamentais e regionais, promovendo o diálogo entre civilizações e religiões, estados e nações.
13. Reconhecemos a importância e o valor do Documento sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Convivência entre a Santa Sé e Al-Azhar Al-Sharif (adotado pela Assembleia Geral da ONU na Resolução A/RES/75/200 de 21.Dez.2020)...
... e a Declaração de Makkah (adotada em Meca em Mai.2019), que clamam por paz, diálogo, compreensão mútua e respeito mútuo entre os crentes pelo bem comum.
14. Saudamos o progresso feito pela comunidade global nos campos da ciência, tecnologia, medicina, indústria e outras áreas, mas notamos a importância de sua harmonização com os valores espirituais, sociais e humanos.
15. Percebemos que os problemas sociais muitas vezes levam as pessoas a atitudes e ações extremas e conclamamos todos os estados do mundo a garantir condições de vida adequadas para seus cidadãos.
16. Observamos como pessoas e sociedades que desprezam a importância dos valores espirituais e diretrizes morais são suscetíveis a perder sua humanidade e criatividade.
17. Apelamos aos líderes políticos e empresariais mundiais para que se concentrem na superação dos desequilíbrios no desenvolvimento das sociedades modernas e na redução da lacuna no bem-estar de diferentes segmentos da população e diferentes países do mundo.
18. Notamos o impacto positivo do diálogo entre líderes mundiais e religiões tradicionais para os processos sócio-políticos em estados e sociedades, contribuindo para a preservação da paz.
19. Partimos do fato imutável de que o Todo-Poderoso criou todas as pessoas iguais, independentemente de sua raça, religião, etnia, ou outra afiliação ou status social, portanto, o respeito mútuo e a compreensão mútua sustentam todo o ensino religioso.
20. Apelamos a figuras políticas e públicas, jornalistas e blogueiros, embora reconhecendo sua liberdade de expressão, que tomem cuidado com a generalização religiosa e não identifiquem o extremismo e o terrorismo com qualquer nação ou religião, bem como não usem as religiões para fins políticos.
21. Defendemos o aumento do papel da educação e da formação religiosa, particularmente entre os jovens, no fortalecimento da convivência respeitosa de religiões e culturas e no desmascaramento de perigosos preconceitos pseudo-religiosos.
22. Damos especial atenção à importância de fortalecer a instituição da família.
23. Defendemos a proteção da dignidade e dos direitos das mulheres, a melhoria de seu status social como membros iguais na família e na sociedade, bem como incentivamos sua inclusão nos processos de paz em ambientes culturais e religiosos.
24. Observamos a inevitabilidade do desenvolvimento digital global, bem como a importância do papel dos líderes religiosos e espirituais na interação com os políticos na solução dos problemas da desigualdade digital.
25. Embora respeitemos a liberdade de expressão, nos esforçamos para desenvolver um diálogo com a mídia e outras instituições da sociedade para esclarecer o significado dos valores religiosos para promover o conhecimento religioso, a harmonia inter-religiosa e a paz civil, bem como desenvolver uma tolerância geral para religiões.
26. Apelamos a todas as pessoas de fé e boa vontade para que se unam neste momento difícil e contribuam para garantir a segurança e a harmonia na nossa casa comum – o planeta Terra.
27. Voltamos a orar em apoio a todas as pessoas de boa vontade do planeta que dão uma contribuição significativa para a expansão do diálogo inter-civilizacional, inter-religioso e inter-nacional em prol de um mundo mais próspero.
28. Apelamos ao apoio a atos de misericórdia e compaixão em regiões afetadas por conflitos militares e por desastres naturais e causados pelo homem.
29. Apelamos à solidariedade no apoio de organizações internacionais e governos nacionais em seus esforços para superar as consequências da pandemia de Covid.
30. Afirmamos que os propósitos do Congresso e desta Declaração são orientar as gerações contemporâneas e futuras da humanidade na promoção de uma cultura de respeito mútuo e paz; disponível para uso na administração pública de qualquer país do mundo, bem como por organizações internacionais, incluindo instituições da ONU.
31. Instruímos a Secretaria do Congresso a desenvolver um Conceito para o desenvolvimento do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais como uma plataforma global de diálogo inter-religioso para 2023-2033.
32. Afirmamos o papel da República do Cazaquistão como um centro autorizado e global de diálogo inter-civilizacional, inter-religioso e inter-fé.
33. Agradecemos à República do Cazaquistão e ao Presidente Kassym-Jomart Tokayev por convocar o VII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, por suas iniciativas humanitárias e por sua contribuição para a renovação e progresso, paz e harmonia.
34. Agradecemos à República do Cazaquistão pela excelente organização do Congresso e ao povo cazaque por sua cordialidade e hospitalidade.
35. Confirmamos nosso interesse coletivo em continuar as atividades do Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais e nossa intenção de convocar o próximo VIII Congresso, em 2025, na capital da República do Cazaquistão, Nur-Sultan [Astana, capital do Kazakhstan, Cazaquistão].
Esta Declaração foi adotada pela maioria dos delegados do VII Congresso dos Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais e está sendo transmitida às autoridades, líderes políticos e figuras religiosas de todo o mundo, organizações regionais e internacionais relevantes, organizações da sociedade civil, associações religiosas e os principais especialistas. Também será distribuído como documento oficial da 77ª Sessão da Assembleia Geral da ONU.
Os princípios contidos na presente Declaração podem ser divulgados em todos os níveis regionais e internacionais, para consideração em todas as decisões políticas, normas legislativas, programas educacionais e meios de comunicação de massa em todos os países interessados.
QUE NOSSAS ASPIRAÇÕES SEJAM ABENÇOADAS E QUE PAZ E PROSPERIDADE SEJAM CONCEDIDAS A TODOS OS POVOS E PAÍSES!
A REPÚBLICA DO CAZAQUISTÃO
NUR-SULTAN [Astana]
15.Set.2022
-- FIM DA TRADUÇÃO
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