sexta-feira, 26 de outubro de 2018

UNIÃO NÃO É UM MODELO CIVILIZACIONAL | UNIÃO SÃO RELACIONAMENTOS HUMANOS


Este trabalho é a continuação dos artigos Apologia da União entre as Pessoas [1] e Atravessando a Ponte até à União [2]

No primeiro artigo mostrei que a União é um sentimento e não uma ideologia e é por isso que defendo, sem dogmatismos e sem utopia, que a União entre as pessoas é a única solução realmente viável e eficaz para resolver os problemas da humanidade em geral. 

No segundo artigo sugeri alguns cuidados que devemos ter quando estudamos a União. 

Para melhor compreender algumas das percepções que vamos estudar a seguir, convêm ler, primeiro, estes dois artigos, uma vez que a complexidade do estudo aumenta quanto mais avançamos.

A União – apesar de ser um sentimento e não uma ideologia – precisa ser estudada também em termos práticos de relações humanas e organização social. 

Não estou criando mais um modelo utópico de civilização perfeita e, sim, estudando as relações humanas que fazem os modelos sociais funcionar de forma mais perfeita, justa, pacífica, sábia, amorosa e em equilíbrio com as Forças da Mãe Natureza. 

Na realidade, o funcionamento de um Modelo Civilizacional, é criado mais pelas relações humanas dentro do mesmo, do que propriamente pelos Princípios Teóricos em que o mesmo se sustenta.

Considero que os Modelos Civilizacionais modernos (e alguns antigos) são constituídos pela Máquina do Estado e pela Máquina Social – sendo esta a parcela da sociedade que não pertence à Máquina do Estado e é controlada por aquela, em sua grande maioria.

Assim considerado, descubro nos Modelos Civilizacionais três tipos de relações humanas:

:: entre as pessoas que constituem a Máquina do Estado
:: entre as pessoas que constituem a Máquina do Estado e as pessoas que constituem a Máquina Social 
:: entre as pessoas que constituem a Máquina Social.

O poder das relações humanas é tão forte que estas, pela prática, podem fazer um Modelo Civilizacional funcionar incoerentemente com os Princípios Teóricos sobre os quais este se assenta.

Na verdade, quanto mais corruptas forem as pessoas e as relações humanas dentro e entre a Máquina do Estado e a Máquina Social, mais probabilidades existem que, em sua totalidade, as ações destas pessoas corrompam os Princípios Teóricos, sobre os quais, o Modelo Civilizacional se assenta, corrompendo, assim, o próprio modelo.

Surge, então, a pergunta: será que o sentimento de União no Coração e na Consciência das pessoas fará nascer um Modelo Civilizacional mais perfeito, justo, pacífico, sábio e mais amoroso do que qualquer outro Modelo Civilizacional até agora?

O que observamos até hoje, é que a criação Modelos Civilizacionais a partir de Princípios Teóricos, não tem feito as pessoas mudarem de comportamento.

Em todos os Modelos Civilizacionais, as várias formas de corrupção e de violência sempre tendem a crescer até chegar a Pontos de Saturação que culminam em guerras, ou confrontos civis em larga escala.

Tais guerras e tais confrontos civis em larga escala, sempre buscam derrubar o Modelo Civilizacional anterior para dar origem a um Novo Modelo Civilizacional, supostamente, mais perfeito.

Mais uma vez, teorizam-se, escrevem-se e acordam-se Novos Princípios Teóricos - Legislativos, Constitucionais, Éticos e Morais - que moldam o Novo Modelo Civilizacional.

Espera-se, assim, que todas as pessoas se comportem de acordo com os Novos Princípios Teóricos do Novo Modelo Civilizacional.

Esquece-se, neste processo, o princípio básico de que são as crenças e as percepções de realidade que geram comportamentos e não são os comportamentos que geram crenças e percepções da realidade.

Assim, quando se busca impor nas pessoas Novos Princípios Teóricos - ou seja, um novo modo de ser, agir e comunicar dentro do Novo Modelo Civilizacional - sem mudar o seu sistema de crenças e a sua percepção da realidade, obviamente que, mais cedo, ou mais tarde, o comportamento das pessoas volta aos moldes antigos, corrompendo, assim, o Novo Modelo Civilizacional, por mais perfeito que este seja.

Mas isto não acontece porque as pessoas são, naturalmente, contra o Novo Modelo Civilizacional, mas porque, simplesmente, as pessoas não conseguem evitar serem fiéis ao sistema de crenças e percepção da realidade que nelas existe: é assim que nós, como seres humanos, funcionamos: nós exteriorizamos aquilo que está em nosso mundo interior.

Se o mundo interior das pessoas não for mudado, não tem como mudar definitivamente os seus comportamentos. 

Isto faz com que sempre existam inadaptados, insatisfeitos e corruptos dentro dos Novos Modelos Civilizacionais.

Por outro lado, não é certo manipular a mente das pessoas – ou seja, manipular o seu sistema de crenças e a sua percepção da realidade – apenas para que estas se comportem de acordo com os Novos Princípios Teóricos do Novo Modelo Civilizacional. 

No entanto, é sempre isto que todas as Máquinas do Estado procuram fazer com as crianças: moldar as suas mentes, o seu sistema de crenças e a sua percepção da realidade aos Novos Princípios Teóricos de forma a que estas se tornem adultos coerentes com tal Novo Modelo Civilizacional.

Os mais velhos – aqueles que tiveram suas mentes, seu sistema de crenças e sua percepção da realidade moldados pelos Princípios Teóricos do Modelo Civilizacional anterior – são mais difíceis de serem moldados pelos Novos Princípios Teóricos do Novo Modelo Civilizacional, logo, quanto mais velhas são as pessoas, mais são obrigadas do que educadas, a funcionar dentro dos Novos Princípios Teóricos do Novo Modelo Civilizacional.

Já as crianças – repito – nascidas já dentro do Novo Modelo Civilizacional, têm suas mentes, seu sistema de crenças e sua percepção de realidade moldadas segundo os Novos Princípios Teóricos do Novo Modelo Civilizacional.

Facilmente podemos ver a confusão, a desonestidade, o desespero e a malícia que caracterizam tais formas de derrubar e erguer civilizações e compreender porque tais estratégias de conquistar o poder e a riqueza sempre terminam em graves conflitos.

Por outro lado, quando crianças são incentivadas a ampliar o sentimento de União que, naturalmente, já existe no seu Coração e na sua Consciência, é o sentimento de União que, natural e espontaneamente, cria um Novo Modelo Civilizacional mais perfeito, justo, pacífico, sábio e amoroso.

Ou seja, invés de serem os Novos Princípios Teóricos dos Novos Modelos Civilizacionais pré-fabricados a moldar as pessoas, são as pessoas, com o seu sentimento de União, a criar os Novos Princípios Teóricos dos Novos Modelos Civilizacionais.

Ora, como vimos atrás, é exatamente isto que acontece: é o sentimento existente nas pessoas e nas relações entre as pessoas que, verdadeiramente, define os contornos dos Modelos Civilizacionais e não tanto os Princípios Teóricos em que estes Modelos se baseiam.

Os Princípios Teóricos em que os Modelos Civilizacionais se baseiam apenas servem para delinear fronteiras de opressão, manipulação e condicionamento do leque de escolhas das pessoas, mas, mesmo assim, estas fronteiras sempre são trespassadas devido à falta de coerência entre a realidade psico-emocional dos indivíduos e os Princípios Teóricos dos Modelos Civilizacionais.

No presente artigo, além de erguer questões pertinentes no que diz respeito aos sentimentos existentes nas relações entre as pessoas que constituem as várias engrenagens dos Modelos Civilizacionais, focarei imenso nas relações humanas existentes entre pequenas comunidades e a Máquina do Estado.

Sempre inspirando que são os sentimentos existentes nas relações entre as pessoas que, verdadeiramente, definem os contornos dos Modelos Civilizacionais e não o oposto.




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