... publicado em O Jornal de Doenças Infecciosas, de 01.Jun.2021, Vol. 223, N° 11, da Universidade de Oxford...
... a 3ª dose da vacina DTP aumenta a mortalidade feminina, deixando ainda em aberto a possibilidade de causar mortes em crianças do sexo masculino.
Como veremos mais abaixo, no Brasil as crianças são administradas com 5 doses, além das doses em grávidas.
Autores do artigo
Syed Manzoor Ahmed Hanifi¹ ²
Ane Bærent Fisker¹ ³ ⁴ ⁵
Paul Welaga⁵ ⁶
Andreas Rieckmann¹ ⁷
Aksel Georg Jensen¹ ⁸
Christine Stabell Benn¹ ³ ⁴
Peter Aaby¹ ⁵
¹Centro de Pesquisa em Vitaminas e Vacinas, Projeto de Saúde Bandim, Instituto Statens Serum
²Divisão de Sistemas de Saúde e Estudos Populacionais, Centro Internacional de Pesquisa em Doenças Diarreicas, Daca, Bangladesh
³Rede Aberta Explorativa de Pacientes, Instituto de Pesquisa Clínica, Universidade do Sul da Dinamarca e Hospital Universitário de Odense, Dinamarca
⁴Instituto Dinamarquês de Estudos Avançados, Universidade do Sul da Dinamarca, Odense, Dinamarca
⁵Projeto de Saúde Bandim, Rede INDEPTH, Bissau, Guiné-Bissau
⁶Centro de Pesquisa em Saúde de Navrongo, Navrongo, Gana
⁷Seção de Epidemiologia, Departamento de Saúde Pública, Universidade de Copenhague, Copenhague, Dinamarca
⁸Seção de Bioestatística, Departamento de Saúde Pública, Universidade de Copenhague, Copenhague, Dinamarca
No artigo de 8 páginas...
Contexto. A 3ª dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP3) é utilizada para monitorar programas de imunização. A DTP tem sido associada a uma maior mortalidade no sexo feminino.
Métodos. Atualizamos buscas bibliográficas anteriores por estudos sobre a mortalidade associada à DTP, segundo o sexo. Analisamos a razão de taxas de mortalidade (RTM) entre mulheres e homens (F/M) em relação ao número crescente de doses de DTP, bem como para doses subsequentes da vacina contra sarampo (VS) após a DTP e da DTP após a VS.
Resultados. 8o estudos continham informações, tanto sobre a DTP1, quanto sobre a DTP3. A RTM F/M foi de 1,17 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,88-1,57) após a DTP1 e aumentou para 1,66 (IC de 95%: 1,32-2,09) após a DTP3. Após a administração da VS, a RTM F/M caiu para 0,63 (IC de 95%: 0,42-0,96). Em 11 estudos, a RTM F/M aumentou para 1,73 (IC de 95%: 1,33-2,27) quando uma vacina contendo DTP foi administrada após a VS.
Conclusões. A RTM F/M aumentou com o incremento das doses de DTP. Após a VS, as meninas apresentaram menor mortalidade do que os meninos. Com a administração de DTP após a VS, a mortalidade voltou a aumentar entre as meninas em relação aos meninos. Nenhum viés consegue explicar essas alterações na RTM F/M. A DTP não melhora substancialmente a sobrevida masculina em situações de imunidade de rebanho contra a coqueluche; portanto, a maior RTM F/M observada após a DTP pode refletir um aumento absoluto na mortalidade feminina.
Em 1992, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revogou a recomendação da vacina contra o sarampo de alto título (HTMV), pois ela estava associada a uma maior mortalidade entre o sexo feminino. Em 1989, a OMS havia recomendado a HTMV, a partir dos 6 meses de idade. A HTMV conferia proteção contra a infecção pelo sarampo tanto para meninas quanto para meninos quando administrada precocemente. No entanto, ao acompanhar crianças na Guiné-Bissau e no Senegal, até os 5 anos de idade, observou-se que a HTMV - em comparação com a vacina contra o sarampo de título padrão (MV) administrada aos 9 meses - estava associada a uma mortalidade 2x maior entre as meninas. A HTMV não apresentou diferença nos resultados para os meninos. Quando uma tendência semelhante foi observada no Haiti, a OMS retirou a recomendação da HTMV. Assim, uma vacina eficaz foi retirada de uso devido a efeitos diferenciais na sobrevida relacionados ao sexo. Não havia explicação sobre como uma vacina eficaz poderia estar associada a uma maior mortalidade feminina. Levou-se uma década para encontrar uma explicação que se adequasse a todos os dados disponíveis. Estudos haviam sugerido que a vacina inativada (não viva) contra difteria, tétano e coqueluche de célula inteira (DTP) estava associada a uma maior mortalidade feminina. A HTMV era administrada aos 4, ou 5 meses de idade e a maioria das crianças recebia doses de DTP, ou da vacina inativada contra a poliomielite (IPV), após a HTMV. Investigamos se a mortalidade feminina decorria da administração das vacinas inativadas DTP e IPV após a HTMV. No Sudão, no Senegal e na Guiné-Bissau, a mortalidade feminina foi maior quando a DTP/IPV foi administrada após a HTMV, mas isso não ocorreu entre as crianças do grupo controle, que receberam a MV aos 9, ou 10 meses e tinham menor probabilidade de receber uma vacina inativada após a MV. Quando as crianças não recebiam DTP/IPV após a HTMV, não havia aumento na mortalidade feminina. Portanto, a sequência envolvendo a vacina inativada após a MV precoce - e não a HTMV em si - explicava o aumento da mortalidade feminina. Em uma meta-análise de todos os ensaios clínicos randomizados controlados envolvendo vacinas contra sarampo de título médio (MTMV), ou alto título (HTMV), no Sudão, Senegal, Gâmbia e Guiné-Bissau, meninas que receberam DTP/IPV após HTMV/MTMV apresentaram uma razão de taxas de mortalidade (MRR) de 1,89 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,27-2,80) em comparação com meninas que receberam a vacina padrão contra sarampo (MV), após uma vacina inativada (não viva); a MRR correspondente para meninos foi de 0,98 (IC de 95%: 0,66-1,46). Meninas que receberam HTMV apresentaram mortalidade mais elevada do que as meninas do grupo controle e do que os meninos que receberam HTMV. Uma mortalidade infantil feminina superior à masculina é considerada "não natural"; não havia tal diferença na África Ocidental na era pré-vacinação. Após o episódio envolvendo a HTMV, muitos estudos confirmaram que a DTP e outras vacinas inativadas poderiam estar associadas a uma mortalidade feminina superior à masculina; em uma meta-análise de 15 estudos, a MRR feminino/masculino (F/M) foi de 1,53 (IC de 95%: 1,21-1,93) entre crianças cuja vacinação mais recente havia sido a DTP. Os registros de administração da 3ª dose da DTP (DTP3) são utilizados para monitorar o Programa Expandido de Imunização (PEI) nacional. Para fortalecer o PEI, tem sido comum definir metas para a cobertura da DTP3, medir o sucesso pelo aumento dessa cobertura e examinar se outros programas impactam a cobertura da DTP3. Até recentemente, os PEIs recebiam financiamento adicional da GAVI com base no aumento da cobertura da DTP3. A cobertura da vacina contra sarampo (MV) foi incluída no financiamento baseado em desempenho, mas o Plano de Ação Global para Vacinas ainda avalia a cobertura apenas pela DTP3. Com a ênfase na DTP3, a cobertura dessa vacina aumentou mais do que a da MV, embora a DTP3 exija 3 doses, enquanto a MV requer apenas 1. Caso as doses de DTP sofram atraso, elas são administradas simultaneamente à MV, ou após ela. Estudos sobre desigualdade de gênero frequentemente concentram-se no acesso desigual aos serviços de saúde. No entanto, avaliar apenas o acesso pode ser insuficiente. Se a vacina DTP estiver associada a uma maior razão de taxas de mortalidade (RTM) entre o sexo feminino e o masculino, a ênfase na dose DTP3 poderá aumentar a mortalidade feminina. Analisamos se a DTP3 está associada a uma RTM (feminino/masculino) mais elevada, se existe uma relação dose-resposta entre o número de doses de DTP e a mortalidade (feminino/masculino) e o que ocorre quando a vacina contra o sarampo (MV) é administrada após a DTP e quando a DTP é administrada após a MV.--FIM DA TRADUÇÃO PARCIAL
Este estudo também foi publicado na Biblioteca Nacional de Medicina, do Centro Nacional para Informação Bio-tecnológica, dos EUA.
No Brasil, em crianças, são aplicadas 3 doses entre os 2 e os 6 meses de idade + 2 doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade, ou seja, 5 doses no total, sendo que, o estudo acima, demonstra que o aumento da taxa de mortalidade no sexo feminino acontece com a 3ª dose.
As grávidas, além de receberem 3 doses da vacina DT ao saber da gravidez, ainda recebem uma dose da vacina DTP, a partir da 20ª semana gestacional. Apesar de constar a observação "esta vacina protege também o bebê nos seus primeiros meses de vida", os bébes, como vimos acima, recebem 3 doses da mesma vacina, nos primeiros 6 meses de vida.
Mas a injeção destes venenos não pára por aqui: os jovens, adultos, ou idosos, "conforme histórico vacinal", ainda recebem 3ª e 4ª doses de reforço da vacina DT, aos 14 e 24 anos de idade, respectivamente.
A bula da vacina DTPa do Butantan informa que a substância contém hidróxido de alumínio hidratado (Al(OH)3) e fosfato de alumínio.
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